quinta-feira, 16 de junho de 2016

Grave Digger: do menos expressivo ao melhor álbum


A sessão “do mais fraco ao melhor” foi criada com o objetivo de tentar elencar os álbuns de determinadas bandas, do menos expressivo ao mais significativo. Os critérios usados para o ranking são diversos, como aceitação crítica do álbum em questão, importância do lançamento para a época, nível técnico em comparação a outros trabalhos da banda e fator diversão (obviamente), entre outros. Note que não há aqui certezas ou leis, apenas uma análise feita por mim para decidir a ordem dos álbuns baseado nas informações acima e, portanto, se seu álbum favorito estiver abaixo no ranking ou se aquele play que você acha uma merda estiver bem posicionado, lembre-se que a música é uma forma de arte subjetiva e pessoal, e não uma ciência exata. De qualquer forma, tentarei potencializar ao máximo os critérios técnicos acima e minimizar interferências pessoais.

Essa semana temos um dos maiores nomes da história do Heavy Metal alemão e uma das bandas mais consistentes de todos os tempos: Grave Digger.


Donos de uma discografia extremamente sólida e repleta de hinos do metal, Chris Boltendahl e companhia vêm nos agraciando com sua forma única e honesta de tocar música há mais de 35 anos, e isso sem mostrar um pingo de cansaço. É por essas e outras que é difícil ranquear os trabalhos do Grave Digger – especialmente os mais fortes – por terem uma qualidade similar entre eles e terem sempre letras cativantes e inteligentes.

Sem dúvidas, esse foi o ranking mais difícil de fazer até agora, e inclusive meu álbum favorito ficou bem abaixo do que esperava. Então junte-se à mim nesse breve resumo de uma carreira merecedora de todas as honras, e lembre novamente tantos momentos bons que passamos ouvindo os coveiros mais famosos do mundo.

“In the name of God they kill
In the name of God they rape
Blood leads to glory - for God's sake

KNIGHTS, KNIGHTS OF THE CROSS
MURDER, MURDER!”


17 – Stronger Than Ever


O álbum Stronger Than Ever foi considerado na discografia do Grave Digger apesar de tecnicamente não fazer parte dos trabalhos da banda. Isso porque entre 1986 e 1991 o Grave Digger mudou duas vezes de nome (1986-1987 como Digger, lançando esse álbum, e 1988-1991 como Hawaii) para tentar comercializar e disseminar mais seu som. Exatamente por esse motivo, o álbum é extremamente falho e sem inspiração, deixando os fãs à época receosos com o que estaria por vir. O álbum não é tão ofensivo aos ouvidos como muitos dizem, mas tampouco é uma obra-prima, e em um ranking onde temos vários trabalhos acima da média, não há como subir Stronger Than Ever sequer uma posição.

16 – Liberty or Death


Liberty or Death é um álbum estranho. Obviamente possui boa qualidade, mas ao ouvir as músicas há sempre uma sensação de que algo esta faltando. Se prestarmos atenção em cada instrumento isoladamente podemos ver uma boa execução, mas claramente há uma falta de conexão entre os músicos conjuntamente, e uma pequena falta de inspiração ao criar as letras fez com que o trabalho não ficasse como o esperado, o que inclusive já foi dito pelo próprio Chris Boltendahl.

15 – Witch Hunter


A dose mais forte de Speed Metal liberada pelos Alemães. Witch Hunter é rápido, agressivo, honesto e repleto de letras rebeldes. Power Trios eram abundantes nessa época, e Boltendahl, Peter Masson e Albert Eckhardt não deviam pra ninguém com sua maneira irreverente de tocar metal. O álbum também é o responsável por um dos maiores hinos do Grave Digger até hoje.

14 – The Clans Will Rise Again


Primeiro álbum com o atual guitarrista Axel “Ironfinger” Ritt, The Clans Will Rise Again usa e abusa de gaitas de fole durante o curso do álbum na tentativa de resgatar a atmosfera do épico Tunes of War, o que acaba tornando o álbum um pouco cansativo. Há claramente uma vontade extrema de equiparar o trabalho com seu antecessor espiritual, e enquanto fazem isso, não conseguem entregar músicas fluidas e orgânicas. Quando a banda se propõe a fazer o que sabe, porém, há aqui muitas passagens divertidas e de qualidade.

13 – War Games


Com uma capa bizarre e engraçada, War Games foi o terceiro álbum lançado pelos alemães, e continua com a pegada Speed adotada durante Witch Hunter. O início avassalador de “Keep on Rocking” já dita o ritmo do que esperar do trabalho, com guitarras distorcidas e peso adicional no baixo e bateria. Um play mais sombrio e sério do que seus antecessores, que com certeza tem até hoje um lugar cativo no coração de todos nós.

12 – The Last Supper


A criatividade dos alemães chegou a um nível inacreditável durante o curso dos anos 1990 e começo dos anos 2000, e The Last Supper bebe nessa fonte de inspiração de Boltendahl e companhia trazendo uma visão clássica do Grave Digger sobre alguns acontecimentos bíblicos. A faixa título, assim como “Crucified” e “Divided Cross” ilustram bem o lado épico da banda, enquanto “Grave in the No Man’s Land” e “Hell to Pay” adicionam a pegada mais true a um trabalho extremamente competente.

11 – Ballads of a Hangman


Um belo álbum, que facilmente poderia figurar mais alto no ranking, não fossem os monstros lançados pelo Grave Digger durante sua carreira. Muito bem construído e com passagens memoráveis como o refrão da faixa título, o início poderoso de “Sorrow of the Dead” e a cadência de “Hell of Disillusion”, o trabalho, na minha opinião, é extremamente diversificado e acessível, porém nunca lembrado pelos fãs, o que é uma pena.

10 – Heavy Metal Breakdown


O começo de tudo. Heavy Metal Breakdown ganhou status de cult por sua produção crua e músicas cheias de atitude. “Back From the War”, “Legion of the Lost”, “Yesterday” e, obviamente, a faixa título são clássicos absolutos. O álbum só não figura mais alto porque há ainda um nível de imaturidade considerável em Chris Boltendahl, o que tornou o trabalho final um tanto quanto simples.

9 – Clash of the Gods


Um trabalho interessantíssimo e inspirado. As linhas vocais de Boltendahl aliam-se perfeitamente à cozinha e aos riffs bem trabalhados de Axel Ritt e criam um álbum heterogêneo e agressivo, sem perder a sofisticação característica do Grave Digger. Produção decente e letras acima da média também contribuem para que Clash of the Gods figure entre os 10 melhores plays da banda.

8 – Return of the Reaper


O trabalho mais recente dos alemães agradou desde o fã mais casual até o mais extremo, com melodias ponderosas, atmosfera sombria e riffs recheados. De “Hell Funeral” à “Nothing to Believe”, Return of the Reaper cativa e mantém o ouvinte ligado a cada música e não se torna monótono em nenhum momento. Destaques para a pegada rock ‘n’ roll de “Tattooed Rider”, para a bela e maléfica “Season of the Witch” e para a paulada já mencionada “Hell Funeral”.

7 – The Reaper


O ceifeiro voltou, mas foi em The Reaper que a história começou. O álbum possui uma agressividade única e incomparável com qualquer outro trabalho do Grave Digger (talvez apenas equiparado pelo EP Symphony of Death, uma jóia absoluta). O True Metal corre solto pelas veias de Boltendahl e companhia nesse play, e não é à toa que é o álbum favorito de muitos fãs do Grave Digger. “Spy of Mas’ On”, “Ride On” e “The Reaper” são faixas quase perfeitas e merecem um lugar de respeito na playlist de qualquer headbanger.

6 – The Grave Digger



Meu álbum favorito da banda, The Grave Digger é sem dúvidas o trabalho mais sombrio dos alemães, com letras magníficas emprestadas de contos de Edgar Allan Poe e atmosfera visceral. Basta ouvirmos “Son of Evil”, “Raven” ou “The House” para percebermos o nível de maturidade e genialidade de Boltendahl, e a execução perfeita de Manni Schmidt, Jens Becker, Stefan Arnold e principalmente de H.P. Katzenburg nos arranjos de teclado fazem do play um dos melhores da carreira magnífica do Grave Digger.

5 – Tunes of War


Provavelmente o álbum mais aclamado da carreira dos coveiros, Tunes of War conta a história da independência escocesa, e possui a música mais emblemática da carreira dos alemães. Todo headbanger que se diz fã de Grave Digger sabe de cor o refrão da poderosíssima “Rebellion (The Clans Are Marching)” e com certeza já se viu destruindo tudo com “The Dark of the Sun” ou se emocionou com “The Ballad of Mary (Queen of Scots)”. Quero deixar bem claro que, a partir desse álbum, considero todos os trabalhos acima nesse ranking iguais, e foram meros detalhes como produção, conceito histórico, detalhes das letras e construção musical que separaram um do outro, com diferenças sutis entre eles.

4 – Heart of Darkness


Heart of Darkness foi um dos primeiros álbums que ouvi na vida. Rico em detalhes e executado à perfeição – sem falar na capa absurdamente bela – o álbum consolidou de vez o retorno do Grave Digger como uma banda de respeito e foi um tapa na cara no movimento do “metal mainstream” que cada vez mais se distanciava de suas raízes no começo e meio dos anos 1990, provando que música boa é aquela que vem da honestidade e vontade de fazer arte. “Shadowmaker”, “The Grave Dancer”, “Heart of Darkness” e a magnífica “Circle of Witches” são intocáveis e verdadeiras pérolas do true metal.

3 – Rheingold


Esse é o álbum mais inteligente da carreira do Grave Digger, musicalmente e liricamente falando. A atmosfera e a história cativante baseada na ópera Der Ring des Nibelungen (O Anel dos Nibelungos) de Richard Wagner fazem de Rheingold uma obra de arte, com mesclas entre faixas agressivas e melódicas. Manni Schmidt entrega aqui uma das melhores performances de sua carreira, com ganchos magníficos, riffs inspiradíssimos e um feeling único em cada nota tocada. Sem dúvidas, o mais polido trabalho da carreira dos alemães.

2 – Knights of the Cross


Devastador, agressivo, crítico e polêmico. Esse é Knights of the Cross, um titã do True Metal mundial e casa de músicas monstruosas como “Monks of War”, “Inquisition”, “Baphomet” e as sem igual “The Curse of Jacques” e “The Battle of Bannockburn”. O álbum destrói tudo em seu caminho, fazendo duras críticas às cruzadas da Igreja Católica no final do século XI. Ao mesmo tempo visceral e sofisticado, Knights of the Cross ficará para sempre na história do Heavy Metal.

1 – Excalibur



Não há muito mais a dizer que já não foi dito de Excalibur. Último álbum da trilogia da Idade Média lançado pelo Grave Digger e conhecido até por quem não acompanha a carreira da banda, o play trata do inebriante e místico ciclo arturiano, conjunto de obras literárias britânicas que contavam a história do Rei Arthur e seus cavaleiros. Clássicos absolutos como “The Round Table (Forever)”, “Morgane LeFay”, “Tristan’s Fate” e “Excalibur” dispensam apresentações, e tornam o álbum um dos mais emblemáticos e respeitados da década de 1990.

Comentem se gostaram do ranking e enviem sugestões de bandas que gostariam de ver nesse quadro!

por Bruno Medeiros