sábado, 2 de maio de 2015

Declínio e Renovação no Metal (Parte 2)



Pegando carona na publicação que fiz ontem, sobre o declínio de bandas consagradas e a ascensão de grupos novos, vou citar aqui mais um exemplo. Na postagem de ontem, num trecho do artigo, comparei o novo trabalho do Blind Guardian, "Beyond The Red Mirror" (2015), com o excepcional registro lançado pelo Orden Ogan, "Ravenhead" (2015). Vou traçar aqui mais um paralelo referente ao tema e que chovam as pedras...

Como o Judas Priest, há um bom tempo vem sendo alvo de diversas discussões aqui na comunidade Mundo Metal (Algumas muito boas por sinal). Mais uma vez, o lendário grupo britânico será a bola da vez. 

No ano passado, o Priest lançou seu terceiro registro após o retorno de Rob Halford à banda, NA MINHA OPINIÃO, o totalmente dispensável e mediano "Redeemer Of Souls". Sei que muitos 'bangers' gostaram do trabalho, respeito porém não compactuo da mesma visão. Achei um disco burocrático, com faixas que não empolgam em momento algum e com uma performance pífia do "um dia" excepcional Halford. 

Vou explicar para que entendam o comentário. DISPENSÁVEL, por que não se equipara com nada que produziram em sua fase áurea, se não tivessem lançado o álbum, não interferiria em absolutamente nada na carreira da banda. MEDIANO, pois nenhuma canção presente em "Redeemer Of Souls" tem cacife para se tornar um clássico ou música indispensável em apresentações. Logo, na ausência de relevância para a trajetória do grupo e falta de músicas emblemáticas, não creio que tenha cometido nenhum crime na minha classificação, mas enfim, quem gostou gostou, não quero convencer ninguém.

Independente da minha opinião ser válida ou não, o álbum foi lançado e recebeu ótimas críticas por parte da mídia especializada em metal. Em meio a algumas insatisfações, houveram muito mais elogios do que ressalvas, fato. Não vou aqui ficar explicando o por que disto, pois acredito que é bem nítido a todos (mesmo os que gostaram do disco devem concordar comigo nesse ponto). Dificilmente falam mal de bandas mega conceituadas quando as mesmas lançam registros "mais do mesmo", "arroz com feijão" ou como queiram chamar. Com o Judas não seria diferente.

Voltando para o real foco deste texto, fiz uma indicação de um álbum há poucos dias, alguns vão lembrar e outros não, mas o que realmente importa aqui, é o paralelo que vou traçar entre "Redeemer Of souls" e o "humilde" 'debut' da banda Snakeyes, o ÓTIMO, EMPOLGANTE e SURPREENDENTE "Ultimate Sin" (2015). (Repararam que a classificação mudou bastante de um trabalho a outro né?)

Vamos lá, primeiro um fato. SE houvesse uma troca entre as bandas e o Priest lançasse "Ultimate Sin" e o Snekeyes, o famigerado "Redeemer Of Souls". O iniciante Snakeyes seria dono de um 'debut' pífio enquanto o todo poderoso Judas estaria sendo ovacionado por ter lançado um disco, que no mínimo, seria classificado como FENOMENAL. Ok, mas acontece que isso é uma fantasia, uma suposição que usei apenas para reafirmar que o que realmente vende e se avalia (infelizmente) é o NOME da banda e não o conteúdo de sua música. Esta afirmação, é claro, não serve para todos os fãs de Metal, os que não se enquadram neste estereotipo, sabem disso e portanto irão ignorar, já os outros, me apedrejarão sem dó nem piedade, por que reconhecer tal realidade me parece meio fora dos padrões da grande maioria dos fãs alienados.

Acredito que muitos estão se perguntando qual a minha real intenção com esse texto. Comparar o Judas Priest, uma banda que tem clássicos inquestionáveis em sua carreira, com um grupo debutante que ninguém nunca ouviu falar? 

Na verdade não é bem isso, o que eu quero demonstrar aqui é a incapacidade de avaliação de muitos que se dizem 'headbangers', quando o que está em questão, é o álbum novo de sua banda do coração e por outro lado, a extrema rigidez, bloqueio e má vontade dos mesmos, quando se trata de um grupo novo.

Só pra concluir, um FATO: Nem tudo o que os mestres e ícones lançam, principalmente os que estão em fim de carreira, é realmente bom e relevante. Escutem o trabalho de forma imparcial, realmente analisando as suas qualidades e reconhecendo as falhas nele contidas. O Judas ou qualquer outra banda veterana, não vai deixar de ser importante, seu passado não será maculado e muito menos desmerecido por que lançou um disco mediano. 

Obs: Não me venham fazer nenhum tipo de comentário idiota ou sem fundamento sem ao menos ter sentado a bunda no PC pra escutar o trabalho do Snakeyes com atenção...

Escrito por Fabio Reis