sexta-feira, 1 de maio de 2015

Helloween


Helloween - Uma análise sobre os últimos anos da banda

Ao escutar a música nova dos alemães do Helloween, "Lost In America", que estará presente no novo álbum, "My God Given Right" (2015) e foi disponibilizada para audição no dia 12/04, me senti de certa forma incomodado e resolvi fazer esta análise sobre os últimos anos da banda, principalmente sobre os seus lançamentos mais recentes.

Primeiramente, devo deixar claro que o Helloween é uma banda que sempre gostei muito, acompanho a trajetória do grupo de longa data e sempre fui um fã, portanto, as críticas e pensamentos aqui expostos são meramente pontos de vista de alguém que viu a banda em fases melhores, mais produtivas e MUITO mais inspiradas e tenta de certa forma, dissecar a atual escassez de registros realmente relevantes. 

Não serei um saudosista chato e muito menos ficarei aqui delirando sobre uma volta de Michael Kiske e Kai Hansen por diversos motivos, os principais são os que todos já sabem, os dois estão muito bem em seus atuais projetos e o Helloween já provou (Muito bem provado por sinal) que não precisa de nenhum deles para lançar grandes álbuns.

Na minha visão, o que vem acontecendo com a banda é a possível entrada na chamada "Zona de Conforto". Já são artistas reconhecidos, possuem um público fiel e consumidor, fazem turnês de sucesso e realmente não precisam mais provar nada pra ninguém. Motivar músicos que já passaram por diversos acontecimentos e situações, sempre se superando e mostrando muita capacidade, deve ser algo bem complicado, vide inúmeras outras bandas que passam pela mesma situação de comodismo.

Quando o Helloween realmente necessitou provar para seus fãs que ainda era o grande Helloween de outrora, após o lançamento do famigerado e controverso "Chamaleon" (1993), onde aconteceu a substituição de membros importantíssimos e era preciso se consolidar mais uma vez na cena, fizeram e com maestria. Com as entradas de Andi Deris e Uli Kusch (sem se esquecer de Roland Grapow que já havia substituído o líder e fundador Kai Hansen no álbum "Pink Bubbles Go Ape"), vieram os lançamentos de 4 trabalhos irretocáveis, "Master Of The Rings" (1994), "The Time Of The Oath" (1996), "Better Than Raw" (1998) e "The Dark Ride" (2000).

Naquela época, a banda, por necessidade, se adaptou as características dos novos integrantes e criou novos padrões para o estilo, encontrou novas fórmulas de compor e moldou uma identidade diferente da conhecida até então. Tudo vinha bem, grandes turnês, grandes registros, grandes canções. Até que ocorreu o "racha" interno que todos conhecem, resultando na saída de Roland Grapow e Uli Kusch.

Este talvez seja o ponto crucial que marca o começo do declínio do grupo. Por mais que os músicos que substituíram Grapow e Kusch sejam exímios instrumentistas, é fato que as composições mudaram e os álbuns foram ficando menos interessantes com o passar do tempo. É claro que seria uma grande injustiça e um erro terrível de minha parte, classificar trabalhos como "Rabbit Don't Come Easy" (2003), "Gambling With The Devil" (2007) ou até mesmo o último lançamento do grupo, "Straight Out Of Hell" (2013), como ruins. Não são! 

A grande ressalva que faço aos registros mais recentes do Helloween é a mesmice assustadora em que a banda estacionou e parece não conseguir ou, pior ainda, não querer sair. É óbvio que um novo fã, que não é familiarizado com os álbuns clássicos e começa a escutar a música da banda em um destes novos trabalhos, vai achá-los o máximo, pois como eu disse acima e reafirmo, não são de forma alguma ruins, porém repetem (ou se preferirem, clonam) tudo o que o grupo já fez, com um grande e assustador PORÉM: Sem a energia e muito menos a inspiração de outrora.

Quando escrevi no primeiro parágrafo que me senti incomodado ao fazer a audição da nova música, foi exatamente por estes motivos que coloquei. Tive a real sensação de já ter escutado "Lost In America", por diversas vezes aliás, em outros trabalhos do grupo, a canção me soou absolutamente familiar, mas não de uma forma positiva, do tipo que demonstra uma banda com forte identidade, mas de uma forma negativa, que não empolga mais, que soa como autocopia, afinal, estas fórmulas já foram pra lá de exploradas. Por não tentar nada de novo e consequentemente não criar nada diferente, uma banda que eu tenho tanta admiração, acabou se tornando um paródia de si mesma. Os álbuns que eu aguardava com ansiedade, hoje tenho "medo" de ouvir.

Acho que a pergunta cabal a se fazer e acredito que a resposta seja mais simples do que a maioria pensa é: O que é preciso fazer para que a banda volte a empolgar? A resposta, no meu ponto de vista, seria: Parar de se auto-clonar e "TENTAR" ser o Helloween. O DNA da banda está nos músicos, não é necessário ser um clone de si mesmo para agradar e sim, compor boas músicas. Não quero escutar mais uma versão de "Future World", "I Want Out", "Power" ou "If I Could Fly", quando estas canções foram concebidas, não havia uma outra em que se espelharam, era simplesmente o modo de compor dos músicos ali presentes. 

O passado pode ser lembrado e reverenciado, mas não deve de forma alguma, ficar sendo revisitado a todo instante. Tentativas de recriar momentos que já ficaram eternizados são inúteis, tais épocas/álbuns/canções não precisam ter uma réplica defeituosa ou inferiorizada, já cumpriram seu papel. Acredito que é para frente que se deve olhar e seguir, o que passou, passou. Esta pode não ser a visão de todos os fãs, muito menos dos mais jovens, não espero de forma alguma que todos concordem comigo, mas é como eu vejo o Helloween de hoje. Uma banda repetitiva e parada no tempo. Espero de verdade, que o novo álbum traga uma nova energia e me surpreenda de alguma forma, que "Lost In America", seja apenas a faixa das rádios e nada mais.


Escrito por Fabio Reis