quarta-feira, 12 de julho de 2017

Six Feet Under - “Torment” (2017)

Metal Blade Records

Mundo Metal [ Lançamentos ]



Toda vez que pensamos em um determinado estilo musical, especialmente dentro do Metal, sempre pensamos naqueles artistas que melhor representam as suas respectivas vertentes. Dentro do Death Metal, evidentemente, isso não seria diferente e em meio a aqueles grupos que possuem um invejável respeito de seus apreciadores, também existem aqueles que provocam controvérsias e divisões na opinião de muitos, como o Six Feet Under, banda estadunidense veterana, que executa um Death Metal repleto de groove e tem em sua linha de frente o emblemático vocalista Chris Barnes (ex-Cannibal Corpse). Ainda que o grupo divida muito a opinião do público, os caras já estão há um bom tempo na ativa e gravaram sim trabalhos de muita qualidade e que merecem figurar na coleção dos fãs do estilo. Em 24 de fevereiro desse ano, a banda lançou o seu 12º álbum de estúdio, “Torment”, via Metal Blade Records. Além de Chris Barnes, a formação que compõe esse registro conta com Jeff Hughell (guitarra e baixo) e Marco Pitruzzella (bateria). Mas e o que temos nesse trabalho, afinal, caros leitores? Pois é! Chega de firulas e vamos embarcar no conteúdo musical vil e sangrento da obra.

O início desse novo trabalho se dá com “Sacrificial Kill”, cuja introdução é marcada por uma palhetada brusca e suja, que rapidamente nos apresenta um arranjo de guitarra que remete bastante a “Stripped, Raped and Strangled”, clássica faixa de “The Bleeding” (1994), o último álbum que Barnes gravou em seus tempos áureos de Cannibal Corpse. Sem qualquer cerimônia, entram em cena os guturais de Barnes, que embora estejam muito aquém daqueles vocais excepcionais de outrora, permanecem viscerais e doentios dentro do possível. A metade do som merece ser mencionada, uma vez que é bem caótica e intensa. Um riff de Jeff Hughell surge e já indica que a composição vai sofrer uma violenta mudança de andamento, preparando o ouvinte para um moshpit muito agressivo. E eis que surge uma avalanche de blast beats, proporcionando uma onda de insanidade admirável. O final da música também é bem eficiente, reprisando o seu grudento refrão. Uma excelente maneira de iniciar o disco.

Se os ouvintes buscam por mais caos e mais elementos que remetam de algum modo aos primeiros anos de Cannibal Corpse, a segunda música do álbum também é um prato cheio. “Exploratory Homicide” entra em cena rasgando os alto-falantes como uma ensandecida motosserra, mutilando os tímpanos dos mais sensíveis com sua levada brusca de bateria, riffs imponentes e viscerais, além de um baixo bem destacado. Certamente é outro momento marcante do play, combinando truculência, velocidade e até mesmo uma boa dose de groove em um trecho mais adiante.  Os urros cavernosos de Barnes, acompanhados pela guitarra de Jeff Hughell, introduzem aos ouvintes “The Separation of Flesh from Bone”, uma faixa mais arrastada, porém igualmente pesada e até mesmo viciante, especialmente quando Barnes pronuncia o seu título em alguns versos. Também temos um momento mais desvairado, que certamente foi criado com a intenção de promover um bom moshpit. O trabalho de pedal duplo de Marco Pitruzzella também merece destaque, combinando agressividade e feeling com precisão. 

A podridão permanece contundente na faixa seguinte, “Schizomaniac”, que conta com uma sucessão de arranjos novamente viscerais. O seu ritmo inicial é marcado pela velocidade, contudo temos mudanças de andamento bem construídas e interessantes em sua metade. Outro ponto que merece ser mencionado é quando Chris pronuncia, com seu gutural característico, o nome da música, acompanhado por um riff simples e grudento. Surge uma levada de bateria que se assemelha a uma marcha, posteriormente acompanhada por um baixo estalado, apresentando assim “Skeleton”, uma composição que se inicia de forma progressiva e à medida que avança, promove uma nova – e por que não dizer criativa? – devastação, mesclando rapidez, groove e quebras de ritmo e andamento atrativas. 

O baixo novamente chama a atenção nos primeiros instantes de “Knife Through the Skull”, a sexta composição do registro, cujo ritmo inicial é arrastado e denso e aos poucos ganha mais groove e agressividade. Um instrumental encorpado e beirando o Doom Metal apresenta aos ouvintes “Slaughtered As They Slept”. A composição segue simplesmente a velha escola da banda, sendo caracterizada por um andamento cadenciado e envolvente. Por sua vez, “In the Process of Decomposing” tem como marca registrada o seu groove magnético, que incentiva os ouvintes a banguearem no mesmo ritmo da faixa. Destaque também para a “cozinha”, que caminha lado a lado em cada passagem tocada. As linhas estaladas de baixo passeiam de forma sábia através de cada levada de bateria aqui contida.


Logo após, ecoa o som de um riff grave e infame – no melhor sentido da palavra, é claro. Esse riff conduz a nona faixa do registro, “Funeral Mask”. Nela, temos uma levada novamente cadenciada, contudo bem arquitetada. O verso em que Barnes canta “Die, bleed, rot away” é de fácil assimilação e após poucas audições, ele tende a fixar de alguma forma no subconsciente do ouvinte, especialmente pela linha vocal rasgada empregada pelo vocalista ao pronunciar a palavra “away”, linha que é comumente utilizada pelo músico em diversos de seus trabalhos. A seguir, “Obsidian” se inicia com notas pungentes e arrastadas e aos poucos ganha sutis variações de andamento. O fim da música, por sua vez, possui um trabalho de guitarra que proporciona uma vibração atmosférica e atrativa. 

Que a banda tem como um de seus elementos preferidos o groove não é novidade alguma e tendo isso em mente, “Bloody Underwear” possui um riff inicial altamente pegajoso e grooveado na medida certa, perfeito para banguear no mesmo ritmo. A composição possui sua receita baseada na cadência do groove como já foi dito e o resultado final funciona muito bem, entregando algo prazeroso de se ouvir. Certamente, outra das composições que mais se destacam facilmente nesse trabalho. Encerrando o disco, temos “Roots of Evil”, que ainda que não traga nada de diferente, finaliza o registro com exímio, uma vez que se trata de uma composição igualmente de fácil assimilação, composta por trechos memoráveis, mais groove e um peso moderado e concebido com coesão.

“Torment” está distante de ser um disco original e que faça com que o ouvinte fique realmente surpreso, entretanto, isso não faz dele um trabalho entediante de ser escutado, muito pelo contrário. A banda conseguiu produzir um trabalho recheado de composições admiráveis, dentro de sua proposta, que ainda que não tragam nenhum elemento realmente novo, conseguem empolgar bastante e proporcionam um divertimento excepcionalmente insano. Em suma, podem falar o que for, mas o Six Feet Under realmente ainda possui lenha para queimar... e por que não dizer tímpanos para sangrar?


Nota: 8.0

Nota do site The Metal Club: 7.0

Formação:

Chris Barnes (vocal)
Jeff Hughell (guitarra, baixo e composição)
Marco Pitruzzella (bateria)

Faixas:

01. Sacrificial Kill 
02. Exploratory Homicide 
03. The Separation of Flesh from Bone 
04. Schizomaniac 
05. Skeleton 
06. Knife Through the Skull 
07. Slaughtered as They Slept 
08. In the Process of Decomposing 
09. Funeral Mask 
10. Obsidian 
11. Bloody Underwear 
12. Roots of Evil


Redigido por David "Fanfarrão" Torres

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