terça-feira, 13 de setembro de 2016

Clássicos: Annihilator - “Never, Neverland” (1990)


Formada pelo virtuoso e criativo guitarrista canadense Jeff Waters, o Annihilator é provavelmente a banda com a trajetória mais inconsistente dentro do Thrash Metal. Suas constantes e intermináveis trocas de integrantes e experimentações sonoras dividem e muito a opinião dos ouvintes da música pesada, no entanto, não irei adentrar nesse tema. Após o lançamento do extraordinário álbum de estreia “Alice in Hell” (1989), Waters se uniu a Dave Scott Davis (guitarra), Coburn Pharr (vocal), além de Ray Hartmann (bateria), que já havia participado do debut para conceberem o segundo disco de estúdio do Annihilator, “Never, Neverland”, lançado em 12 de setembro de 1990, via Roadrunner Records. Mais uma vez trazendo uma belíssima arte de capa – que também possui elementos que remetem a utilizada no trabalho anterior, diga-se de passagem, – esse grande clássico do Thrash Metal completou seu 20º aniversário e a seguir, iremos nos aventurar no conteúdo fabuloso presente nesse registro.

Os arranjos dançantes da maravilhosa faixa de abertura “The Fun Palace” arremessam o ouvinte em uma experiência surreal e única. O trabalho de guitarras de Jeff Waters e Dave Scott Davis é minucioso e muito bem arquitetado, jamais soando forçado e maçante. A “cozinha” de baixo e bateria – respectivamente Waters e Ray Hartmann – é igualmente equilibrada e os vocais de Coburn Pharr são muito mais acessíveis do que os de Randy Rapage no debut, trazendo um clima mais mainstream para a banda. Possuindo riffs interessantes, um peso moderado e um refrão fácil de ser memorizado, “Road to Ruin” dá continuidade ao álbum e preserva a qualidade do mesmo com perfeição.


Arranjos suaves, belíssimos, atmosféricos e técnicos dão início a “Sixes and Sevens”, um dos grandes destaques desse trabalho. O rifferama e os solos são simplesmente absurdos. Uma grande canção! A banda já estava visando cada vez mais o mainstream e isso é totalmente perceptível ao ouvirmos a ótima “Stonewall”. Ainda que tenha um apelo comercial, quem disse que músicas comerciais são ruins? Temos incontáveis bandas e trabalhos altamente comerciais e nem por isso deixam de possuir uma qualidade absurda e essa composição é um grande exemplo disso. Dona de melodias cativantes e de muito bom gosto, certamente também um dos pontos altos do álbum. 

A seguir, notas muito suaves ecoam pelos alto-falantes e rapidamente somos conduzidos para a faixa título, “Never, Neverland.  Combinando riffs harmoniosos com trechos mais tênues, é simplesmente um clássico obrigatório. Os dedilhados próximos ao fim da canção são indescritíveis. Se o ouvinte deseja algo mais pesado, logo após temos “Imperiled Eyes”, outra faixa fantástica e repleta de momentos marcantes, sempre combinando velocidade, mudanças de tempo absurdas e muito feeling. Suas variações de andamento são muito bem desenvolvidas, as palhetadas são certeiras e o refrão é extremamente poderoso e marcante.


Caminhando numa direção completamente diferente às faixas anteriores, temos a canção mais curta do álbum, “Kraf Dinner”, uma composição mais dançante e animada e não menos interessante por isso. Agora, um dos pontos mais altos da obra vem a seguir: “Phantasmagoria”! Sua introdução já vale a música inteira, que é um legítimo arregaço. Uma avalanche de riffs intensos e viciantes pra nenhum Thrasher botar defeito. Destaque total da obra! 

O Speed Metal de “Reduced to Ash” também merece elogios, cortesia de músicos não apenas talentosos, mas muito entrosados e o final dessa segunda entrega de estúdio fica reservado para a arrasa-quarteirão “I Am in Command”, que finaliza o disco com exímio. 

“Never, Neveland” é um trabalho atemporal. Pode passar o tempo que for e sua musicalidade continuará viva e reluzente. Dotado de composições bem construídas, técnicas, cativantes e diferentes entre si, é um prato cheio não apenas para os fãs de Technical Speed/Thrash Metal, mas fãs de Metal como um todo. As composições são de fácil assimilação, possuem muito feeling e isso faz toda a diferença. Uma obra para ser ouvida sem qualquer moderação!


Integrantes:

Jeff Waters (guitarra, baixo, composição)
Coburn Pharr (vocal)
Dave Scott Davis (guitarra)
Ray Hartmann (bateria)

Faixas:

01. The Fun Palace 
02. Road to Ruin 
03. Sixes and Sevens 
04. Stonewall 
05. Never, Neverland 
06. Imperiled Eyes
07. Kraf Dinner 
08. Phantasmagoria 
09. Reduced to Ash 
10. I Am in Command

por David Torres
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