quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Live Review: Sepultura - 30th Anniversary Tour


SESC Itaquera - São Paulo – 21/08/2016

Na tarde chuvosa e fria desse último domingo, 21 de agosto, o SESC Itaquera recebeu nada mais nada menos que um forte representante do Metal nacional que dispensa apresentações: o Sepultura. Ainda que o clima não estivesse nada convidativo, engana-se quem pensa que a quantidade de presentes foi pequena. Cerca de 1500 a 2000 pessoas compareceram ao local para prestigiar o show do grupo. A banda, que está em turnê comemorativa de seus 30 anos de carreira, realizou uma apresentação totalmente energética e impecável e provou que nem mesmo o tempo ruim poderia prejudicar o trabalho desse quarteto.

O horário previsto para o evento ter início foi 16h. Os presentes se aglomeraram ansiosos pela apresentação que estava para se iniciar muito em breve. Desnecessário dizer que os fãs mais ardorosos proferiam em uníssono “SEPULTURA!!! SEPULTURA!!! SEPULTURA!!!”, correto? Pois bem, sem muita demora, Andreas Kisser (guitarra), Eloy Casagrande (bateria), Paulo Jr. (baixo) e Derrick Green (vocal) sobem ao palco, já executando o mega clássico “Troops of Doom”. Todos vibraram, banguearam e cantaram com muita empolgação. É incrível como após 30 anos do lançamento do malevolente “Morbid Visions” (1986) essa canção continua implacável, especialmente ao vivo. O dia poderia estar chuvoso e frio, mas engana-se quem pensa que o público não agitou. Aliás, engana-se completamente, pois não demorou absolutamente nada para o circle pit surgiu e o mosh comer solto!

Sem perder tempo, o riff inicial de “Kairos”, do álbum autointitulado de 2011, entra em cena e empolgação dos presentes não diminui. Ainda que seja uma composição relativamente recente, é uma música realmente intensa e que particularmente acredito que poderia ter sido escrita facilmente nos tempos de “Chaos A.D.” (1993), por exemplo. Falando em “Chaos A.D.”, a terceira faixa desse álbum, “Slave New World”, é exatamente a terceira canção do setlist. Cantada por todos, foi executada com perfeição e manteve o nível da apresentação com exímio.


Os músicos fazem uma breve pausa e o carismático vocalista Derrick Green anuncia que irão tocar uma composição do emblemático disco “Roots” (1996), “Breed Apart”. O groove insano da composição proporciona uma experiência única quando a banda executa esse som ao vivo. Na sequência, o guitarrista Andreas Kisser agradece a presença de todos e anuncia que irão relembrar uma canção concebida em meados de 1992. Nesse momento o músico brinca dizendo que o baterista Eloy Casagrande estava nascendo nessa época. A música escolhida para ser tocada é o clássico excepcional “Desperate Cry”, de “Arise” (1991). Andreas apenas se equivocou no ano de lançamento da canção e do álbum, mas esses erros acontecem, ainda mais quando a banda possui uma vasta discografia. Como já era previsto, mal se iniciaram os primeiros arranjos da música e todos já estavam vibrando. Mais uma performance matadora desse que é um dos maiores clássicos do Sepultura. 

Andreas diz ao público que o álbum “Roots” completou 20 anos e irão tocar mais uma canção do registro. As primeiras notas de “Dusted” surgem e não demora muito para que o público se renda aos acordes recheados de groove e pulem incontrolavelmente. Certamente é uma das músicas mais legais daquele disco e sempre que é tocada ao vivo rende ótimos momentos. Mais uma pequena pausa é feita e o guitarrista anuncia que irão tocar uma música inédita, “I Am the Enemy”, canção que fará parte do vindouro novo  álbum de estúdio da banda que deverá ser lançado ainda nesse semestre. O grupo vem executando esse novo som há pouco tempo e sua execução foi primorosa, demonstrando muito poder de fogo. Confesso que quando ouvi a música nas primeiras vezes, através da Internet, achei apenas uma boa música, entretanto, ver a canção ser executada diante de meus olhos gerou uma perspectiva diferente e mais positiva. Vamos ver como serão as próximas novas composições...

O excelente e jovem baterista Eloy Casagrande marca o início da próxima música, a esmagadora “Convicted in Life”, do ótimo “Dante XXI” (2006). Com certeza é uma das músicas mais respeitadas da fase com Derrick Green nos vocais, embora deva dizer que a banda bem que poderia tocar mais canções desse trabalho de estúdio. “Dialog”, do excepcional “Kairos”, é incumbida de dar continuidade ao show. Mais uma execução bem conduzida. Arranjos estranhos e dissonantes são executados na guitarra de Andreas Kisser, dando lugar à “Attitude”, um dos maiores êxitos de “Roots”. Sem sombra de dúvidas foi mais um grande momento do show, com todos os fãs cantando a letra com vontade e agitando a todo o momento, acompanhando cada riff e andamento tocado.


Em seguida, Andreas menciona que irão tocar algo do “Chaos A.D.”. Após alguns segundos de suspense, Derrick profere com seu vocal rasgado característico “Biotech is Godzilla!”. O mosh pit realmente come solto nessa que é a faixa mais brutal daquele álbum. Quem é fã da banda sabe que os músicos costumam fazem jams após a execução da segunda estrofe da música e nessa apresentação, não foi diferente. A banda emendou com o clássico cover de “Polícia”, tocada com muita destreza e cantada por todos. Assim que a música se encerrou, o quarteto mandou a parte final de “Biotech”. Um arregaço, simplesmente!

Direto do álbum “Nation” (2001), “Sepulnation” é tocada na sequência e é bem recebida pelos fãs da fase com Derrick na banda. A canção já nasceu um hit da fase mais recente do grupo e é bem legal vê-la sendo tocada ao vivo novamente. Após tocarem a música, a banda faz uma pequena jam e logo emenda com a poderosa e visceral “The Vatican”, de “The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart” (2013). Com sua levada truculenta, levou muitos para o mosh.

Uma das canções mais obrigatórias em um show do Sepultura é executada na sequência, “Territory” e evidentemente muitos deliraram assim que a música teve início, especialmente os fãs mais novos, que talvez nunca tenham tido a oportunidade de ver um show da banda ou algo do gênero. As coisas iriam voltar a ficarem mais pesadas em seguida, quando a banda anunciou “Beneath the Remains”, da obra prima homônima do Thrash Metal concebida em 1989. Se o público já agitava incessantemente, agora ele havia encontrado um bom motivo para se arrebentar e destruir tudo. Sem deixar o peso, a agressividade e a velocidade de lado, é a vez de “Arise” entrar em cena. Dá-lhe mais mosh pit e caos na pista!


Por falar em “caos”, a clássica e obrigatória “Refuse/Resist”, faixa de abertura de “Chaos A.D.”, foi executada na sequência, sempre proporcionando um clima completamente energético e claro, caótico. O grupo deixa o palco por alguns instantes e o público ovaciona o nome da banda diversas vezes. Os quatro músicos retornam ao palco e Andreas Kisser diz que irão tocar mais algumas músicas. O guitarrista declara que a próxima composição é dedicada a todos aqueles que têm o Sepultura marcado em suas peles. Eis que tocam “Sepultura Under My Skin”, single lançado no ano passado. 

Provocando a público, os integrantes improvisam uma breve jam e logo dão início a clássica “Ratamahatta”. A aquela altura, todos já sabiam que a apresentação estava prestes a se encerrar. Derrick diz que irão tocar mais uma música e é claro que todos já sabiam qual era. “Sepultura do Brasil! 1, 2, 3, 4!”, profere Derrick com sua voz rasgada e dá-lhe “Roots Bloody Roots”. Ainda que seja um dos sons mais manjados da banda, é inegável o poder que essa composição tem, especialmente quando executada ao vivo. Simples, pesada, intensa, direta e dotada de um groove matador. 

Em pouco mais de uma hora de duração, o quarteto realizou uma apresentação primorosa e repleta de muita qualidade, contando com um repertório coeso e bem equilibrado, selecionando um pouco de cada fase da carreira da banda. Ainda que muitos torçam o nariz e critiquem a fase atual da banda, o Sepultura é um grupo que possui sim muita personalidade, atitude e lenha para queimar. Que venham novos trabalhos de estúdio de qualidade e claro, mais shows como esse!

Integrantes:
Derrick Green (Vocal)
Andreas Kisser (Guitarra)
Paulo Jr. (Baixo)
Eloy Casagrande (Bateria)

Setlist:
01. Troops of Doom
02. Kairos
03. Slave New World
04. Breed Apart
05. Desperate Cry
06. Dusted
07. I Am The Enemy
08. Convicted in Life
09. Dialog
10. Attitude
11. Biotech is Godzilla / Polícia
12. Sepulnation
13. The Vatican
14. Territory
15. Beneath the Remains
16. Arise
17. Refuse/Resist

Encore:
18. Sepultura Under My Skin
19. Ratamahatta
20. Roots Bloody Roots

Texto e imagens por David Torres
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...