segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Lançamento: Helstar - "Vampiro" (2016)


Um clima obscuro, transcendente e soturno numa introdução com tiques progressivos. É assim que começa "Vampiro", a mais nova magnífica obra entre tantas da banda yankee de "miscelaneous metal" Helstar.

"Awaken Unto Darkness", o despertar da escuridão que, seguido da intro, apresenta uma performance bem no estilo Doom, decadente e depressiva, nos levando às lembranças de Pentagram e Candlemass. O sincronismo entre as guitarras de Larri Barragan, o fundador da banda e do novato Andrew Atwood, oriundo da Thrash/Speed The Scourge é espantoso, afinal a diferença de idade entre ambos é exorbitante, fato que não dificulta em nada o entrosamento entre ambos, isto pelo álbum todo. Outro que dá um toque de classe à line up é Garrick Smith, também oriundo da The Scourge e que integrou à banda logo após o lançamento do fabuloso álbum "This Wicked Nest" de 2014. Junto ao baterista Michael Lewis, ele compõe uma das mais perfeitas e extasiantes cozinhas dos últimos 20 anos. A pancadaria absorta de Lewis e a suntuosidade de Smith tornam o álbum, já de cara, apaixonante, e nem vou falar de James Rivera que dispensa apresentações ou elogios e que tenho um capítulo especial reservado pra ele que, como ouvi de um amigo, grande conhecer e difusor da cena, é tão virtuoso quanto os magnânimos da voz Brian Ross, Steve Grimmett, J.D.Kimball, Mark Reale e o louco David DeFeis, mas deixa pra lá, é muita cobra no mesmo covil e a maioria deve desconhecer a história desses senhores.

Bem! Voltando à faixa primeira, lá pelos 4 minutos, aquela coisa constrita do Doom torna-se o mais visceral Thrash/Speed jamais ouvido nos quatro cantos desse planeta em ruínas. É o despertar do falo vampiresco, a verve sexual das criaturas da escuridão.

"Blood Lust" é a materialização da sede de sangue, como sugere o título. Começa numa pegada Epic/Heavy e já parte para um Power trevoso, típico da escola norte americana. Como na faixa anterior, é uma distribuição de riffs contagiantes pra todo lado até chegar no duelo de guitarras, onde a mesma passa nervosamente para um Thrash/Speed descomunal, retornando após para aquela pegada Epic/Power... e mais uma saraivada de riffs tresloucados. É muito peso e tende a aumentar segundo as expectativas.

"To Dust You Will Become". Ao pó voltarás! Essa é a promessa da banda aos seres da noite e aos ouvintes perplexos. Cavalgada, riffs, alternâncias e tudo o mais numa canção que insinua a destruição. Rivera está ensandecido, Lewis também. O repertório de pancadas dele é fenomenal. Há de se observar também a atuação do baixista Garrick Smith, ele comanda a base com uma supremacia poucas vezes vista [sic!] ouvida.


"Off With His Head". Fora com a sua cabeça, mongolão! Mais Thrash impossível, em todos os âmbitos. Capaz de fazer inveja em "Dystopia", "For All Kings", "Repentless" e, principalmente, em "Hardwired", que de Thrash só tem a boa vontade e o ufanismo de alguns babacas ditos apoiadores da cena underground. É música pra banguear sem dó. É pra destroncar o coitadinho do seu pescoço pouco treinado pra esse tipo de porradaria insana.

"From The Pulpit To The Pit", outra bagacera Thrash trevosa. Daquelas de arrancar o falso profeta do púlpito e mandá-lo direto à decapitação de sua cabeça desonesta e traidora. Nem estou descrevendo a performance dos músicos simplesmente porque todos se comportam de maneira soberana e inconteste. É tudo mais que perfeito até agora.

"To Their Death Beds They Fell". Pelo andar da carruagem percebe-se uma certa tendência conceitual no álbum onde o andamento direciona o ser demoníaco para sua bancarrota final. Aqui sugere-se a fria onde estão se metendo aqueles que confiam suas vidas aos sugadores de sangue. Um Powerzão digno e complexo, com variações aqui e acolá e coros que identificam a massa manipulável rumo ao epitáfio.

"Malediction". Estão vendo como a obra é conceitual? A maldição está lançada num Speed/Thrash sensacional que começa com uma pegada Neoclassical Avant-Garde e bastante Shred. Na verdade uma aula de virtuosismo sem complacência aos menos afortunados de predicados.


"Repent In Fire" e outra canção power bastante característica de obras anteriores da Helstar. As vocalizações de Rivera concentram-se numa síncope de arrependimentos seguidos diante às conclamações de uma multidão de hereges. A harmonia destoa propositalmente do vocal pra conseguir-se o alcance sugerido pela ode.

"Abolish The Sun". Taí um Heavizão encorpado com uma batida Epic Doom ao fundo denotando a fraqueza do monstro em exposição à luz natural. Durante o andamento até parece escutar-se a voz intrépida de Messias Marcolin. Barragan é o ponto de destaque, ele e sua virtuose escancarada.

"Black Cathedral" incia-se uma balada com guitarra acústica incorporando-se a seguir um mini solo introdutório. Daí por diante é a volta no tempo de "Nosferatu" num Heavy/Power rasgado, pesado, de excelência em trato e gosto. Até como sugere o episódio conceitual do álbum é óbvio que esse Heavy/Power cavalgado e lúgubre teria que ser acompanhado de uma base Doom, escondida atrás da agressividade de uma bateria coesa, encorpada e violenta. O solo é poesia para os nossos ouvidos, é coisa de se admirar por horas, em diversas e seguidas audições.

"Dreamless Sleep". O gran finale da besta, o sono sem sonhos, proeza somente dos mortos. Uma balada tocada a cello e violino que se traduz na anunciação da morte do vampiro, o solilóquio de uma alma condenada ao inferno. O encerramento digno de um álbum repleto de magníficas canções, que tem história. Tem começo, meio e fim. A mais gratificante obra que ouvi nesse ano de 2016. Uma das melhores desse século, sem dúvidas. Uma das maiores de todos os tempos.


Integrantes:

James Rivera (vocal)
Larry Barragan (guitarra)
Andrew Atwood (guitarra)
Garrick Smith (baixo)
Michael Lewis (bateria)

Faixas:

 1. Awaken Into Darkness 
 2. Blood Lust 
 3. To Dust You Will Become 
 4. Off with His Head 
 5. From the Pulpit To The Pit 
 6. To Their Death Beds They Fell 
 7. Malediction 
 8. Repent In Fire
 9. Abolish The Sun 
10. Black Cathedral 
11. Dreamless Sleep

por Luís Henrique Campos
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