terça-feira, 19 de julho de 2016

Os dez melhores discos da nova safra do Thrash (Parte 5): Suffocation Of Soul - "The First Attack" (2014)


Chegamos na metade do caminho com esta quinta indicação e mais uma vez, teremos uma banda brasileira. Figuraram em nossa lista até aqui, nomes como Havok, Woslom, Ultra-Violence e Angelus Apatrida, nesta quinta parte mais uma vez a força do Metal nacional será enaltecida com o disco de estréia dos baianos do Suffocation Of Soul. 

O Thrash Metal como qualquer outro estilo, possui uma variação enorme de sonoridades e elementos a ser explorados, há bandas que optam por soar mais agressivas e viscerais, outras calcam suas composições na técnica, algumas utilizam-se de diversas variações rítmicas, faixas repletas de viradas e ainda existe outros tipos de classificações como soar old school, moderno ou flertar com estilos como Death e Speed Metal. Enfim, são muitas as possibilidades.

Você já deve ter escutado alguma vez na sua vida, um disco que possua muita diversidade e cada faixa é capaz de te surpreender e causar aquela euforia momentânea, aquela  expectativa antes de cada música, te fazendo se questionar "O que será que esses caras vão aprontar agora?". Já ouviu algo assim não? Pois é, é exatamente disso que se trata o debut "The First Strike".

Quando iniciamos a audição e as duas primeiras pedradas invadem os alto falantes, "Urban Cancer" e "Dead World", fica evidenciado um Thrash em alta velocidade, agressivo e técnico, com algumas influências de Violator, porém até aqui nada de novo ou que justifique a análise anterior. Correto, mas isto é tudo que o disco tem de "normal", por que depois deste bom início, tudo se transforma e certamente não estamos diante de um álbum comum. Logo na terceira composição, a que dá título ao trabalho, o Suffocation Of Soul já começa a demostrar a que veio e "The First Strike", contando com seus mais de seis minutos, instrumental afiado, belos riffs e muita variação, dá indícios de que a audição será mais proveitosa do que o esperado.


O álbum entra enfim naquela fase de definição, onde qualquer ouvinte atencioso, se interessa de vez pelo trabalho ou forma sua opinião definitiva e a primeira expectativa da audição se estabelece. O que virá depois dá ótima faixa título? Uma música super extrema e veloz? Algo mais trabalhado e cheio de técnica? Ou será que os caras partirão para uma composição mais cadenciada? Não, nada disso! A quarta música é uma belíssima versão para "Império Humano", originalmente gravada pelo Taurus no clássico "Signo de Taurus" (1986). 

Ok, um cover. Alguns podem não ver nada demais nisso, mas o fato é que ele é muito bem executado e capaz de manter os mesmos questionamentos feitos anteriormente. É aí que "Heavy Artillery" se inicia contrariando todas as apostas, a canção é um Speed Metal de primeira, inclusive não tendo nada daquele Thrash cortante do início. Uma faixa grudenta, com um ritmo viciante e a adaptação dos vocais de André é o primeiro destaque latente, dos mais agressivos e gritados para os mais melodiosos, tudo isso sem contar com as linhas, solos matadores e belos duetos da dupla de guitarristas formada por Tarcísio e Maurício. 

Confesso que depois de um Speed Metal de altíssimo nível como este, qualquer coisa que viesse depois já me surpreenderia, porém entra em cena uma desgraceira sem limites e "H.T. (Unholy Invasion)", com pouco mais de 3 minutos traz o disco de volta ao Thrash com a faixa mais devastadora e insana do registro, uma verdadeira destruição sonora. Para não perdermos o foco vamos recapitular, o álbum começa com dois Thrash's vigorosos, uma canção com mais de 6 minutos cheia de viradas inesperadas e variações rítmicas, uma cover, um Speed Metal e na sequência, uma composição caótica, a pergunta de um milhão de dólares é: e agora? Ah claro... uma instrumental de 10 minutos! "What the fuck", é isso mesmo? Uma instrumental de 10 minutos? Sim, uma instrumental enorme e por mais que eu não seja tão a favor de músicas desse tipo, sou obrigado a assumir que a tal "Gates Of Sodom" é muito boa, acima da média e melhor que 95% das canções deste tipo que eu já escutei.


Acho que deu pra entender que a Suffocation Of Soul não é uma banda qualquer, não lançou qualquer disquinho genérico com um monte de clichês, mas sim, estrearam chutando a porta da frente e apresentaram um baita de um trabalho, daqueles que se lançados nos anos 80, você provavelmente estaria aí chamando de obra prima, disco de cabeceira e etc.

Voltando a audição, (sim, tem mais), os caras ainda finalizam o álbum com a ótima "Prelude To A Nuclear War", um Thrash técnico e bem agressivo e "The Last Way Of Madness", uma canção simplesmente épica, exuberante, complexa, intrigante e o que mais você quiser chamar...  são mais nove minutos de muita criatividade, classe e mais uma exibição proporcionada por uma banda que realmente conquista na primeira audição e tem tudo pra ser um grande nome do Metal mundial.

"The First Attack" é o disco que você precisa ter em casa, é aquele que quando algum bestalhão qualquer vier dizer que não se faz mais Metal como antigamente, que não existem bandas novas boas, você vai colocar pra rolar e mandar um #Chupa seguido de "O que você estava dizendo mesmo?".

Obrigatório!


Integrantes:

André (vocal e baixo)
Tarcísio (guitarra)
Mauricio (guitarra)
Marlon (bateria)

Faixas:

1. Urban Cancer 
2. Dead World  
3. The First Attack  
4. Imperio Humano (Taurus cover)  
5. Heavy Artillery
6. H.T (Unholy Invasion)  
7. Gates of Sodom  
8. Prelude to a Nuclear War  
9. The Last Way of Madness

por Fabio Reis

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