domingo, 26 de junho de 2016

Os dez melhores discos de Thrash Metal da nova geração (parte 3): Ultra -Violence - "Deflect The Flow" (2015)


Na primeira parte desta série, abordamos o segundo álbum de uma das maiores revelações do estilo, o Havok e seu excepcional "Time Is Up" (2011). Na segunda, o Metal brasileiro foi bem representado através do perfeito "Evolustruction" (2013), disco dos paulistas do Woslom. Temos nesta terceira indicação, mais um trabalho essencial oriundo desta talentosíssima nova safra do Thrash Metal, diretamente da Itália, o Ultra-Violence surpreendeu a todos com seu mais recente registro.

O grupo foi formado em 2009 e chamou a atenção instantaneamente com seus primeiros trabalhos, o EP "Wildcrash"(2012) e o debut "Privilege To Overcome" (2013), porém foi em "Deflect The Flow" que a banda demonstrou toda a sua criatividade e se estabeleceu como um nome forte na cena.

Para quem nunca escutou nenhum dos álbuns destes italianos, espere por músicas extremamente agressivas, muita variação rítmica e uma capacidade incrível de se transmutar no decorrer da audição. As faixas se alternam tanto na intensidade como nos elementos utilizados, trazendo cadências diferenciadas e características únicas.

Apesar de "Deflect The Flow" trazer a mesma agressividade e peso do anterior "Privilege To Overcome", é executado por músicos que nitidamente evoluíram demais entre um álbum e outro. Não espere por nada que fuja das fórmulas e clichês do estilo, porém os padrões adotados anteriormente foram substituídos por uma alta dose de ousadia e confiança. Com isso, a palavra originalidade pode ser empregada de maneira correta, já que os belos riffs, os solos muito bem encaixados e a mistura que sempre da certo, do talento e da competência, fazem com que a musicalidade da banda seja elevada a um novo patamar. 

Desde a arte da capa criada pelo mestre Ed Repka, fazendo novamente menção ao clássico de Stanley Kubrick, Laranja Mecânica, até a produção impecável, este é um disco que não decepciona.


Por ser o registro mais trabalhado e mais técnico do Ultra-Violence até o momento, a maior parte das canções são um pouco mais longas, porém nada de músicas intermináveis, as faixas apenas ganharam naturalmente alguns minutos a mais, onde os músicos tem maior liberdade de explorar a sua criatividade e criar uma identidade que começa a fugir do tradicional.

Mantendo a mesma fórmula das análises anteriores, cito como destaques, quatro músicas que resumem as principais características da banda, são elas:

"Why So Serious?": Thrash despojado, com uma letra divertida, breques muito legais e um refrão grudento, tudo isso sem deixar o peso de lado e afinal, "por que ser tão sério?"

"Gavel's Bang": Cadenciada, com um riff incrível e uma levada viciante, é uma das especialidades do grupo, alternar canções de ritmos acelerados com pérolas como esta.

"Lost In Decay": Típica faixa de Thrash Metal, agressiva, rápida, direta e com ótimos backing vocals. Uma lição de como executar clichês de forma irrepreensível.

"Fractal Dimension": Super trabalhada e com diversas variações, esta é uma canção para aqueles que apreciam técnica aliada a peso e muitas passagens em uma mesma composição. Destaque para os solos maravilhosos de Andrea Vacchiotti.

Apesar de ser um álbum lançado em 2015 e portanto, recente, é um dos discos que mais ouvi desta nova geração e com toda certeza, não poderia ficar de fora desta lista. Recomendado a todos os fãs de Thrash da escola americana!

Na sequência da série, iremos tratar de um grande nome da cena espanhola.


Integrantes:

Roberto “Rabba” Dimasi (baixo)
Simone Verre (bateria)
Andrea Vacchiotti (guitarra)
Loris Castiglia (guitarra)

Faixas:

1. Burning Through The Scars
2. Why So Serious
3. Gavel's Bang
4. Lost In Decay
5. In The Name Of Your God
6. A Second Birth
7. The Checkered Sun
8. Don't Burn The Witch (Venom cover
9. The Way I'll Stay
10. Fractal Dimension

por Fabio Reis​