Mostrando postagens com marcador Sanctuary. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sanctuary. Mostrar todas as postagens

Sanctuary: material inédito registrado na época do clássico "Refuge Denied" será lançado em janeiro


No dia 24 de janeiro, o Sanctuary lançará um novo álbum, mas não se trata do sucessor de "The Year The Sun Died" (2014) e sim uma compilação de versões inéditas registradas na época do clássico "Refuge Denied" (1988), que nunca foram disponibilizadas oficialmente. 

O disco se chamará "Inception" e contará com uma seleção de composições que foram recuperadas pelo guitarrista Lenny Rutledge. O músico explica como teve acesso a estas canções:

"Eu achei as fitas masters no meu celeiro O segundo andar do celeiro está no topo do nosso estúdio de gravação atual e é muito áspera e aberta aos elementos naturais. O andar térreo é onde registramos a maior parte do álbum  "The Year The Sun Died". Encontramos as masters em uma caixa desconhecida no celeiro, cheia de água e esquecida."

As fitas foram restauradas por Chris "Zeuss" Harris (Queensryche e Hatebreed). Ele complementa a explicação de Lenny:

"Eu recebi um telefonema de Lenny, ele disse que tinha descoberto essas fitas e as tinha transferido para o digital, eu estava na área e parei para verificá-las. As gravações ainda estavam em boa forma, então nós concordamos que queríamos que soasse tão bom quanto possível, sem tomar distância da vibração e visão que a banda original tinha naquela época. Depois de um ano de mixagens, fomos capazes de ressuscitar esses demos originais, espero que todos aproveitem essas gravações tanto quanto eu aproveitei enquanto trabalhava com elas, especialmente por que sou um grande fã."

"Inception" trará canções das demos "Soldiers Of Steel" e "Battle Angels" de 1986, além disso contará com versões nunca antes apresentadas de faixas como "Dream of The Incubus" and "I Am Insane". O material ganhou uma capa exclusiva desenhada por Ed Repka, a arte e o tracklist serão os seguintes:


01. Dream Of The Incubus
02. Die For My Sins
03. Soldiers Of Steel
04. Death Rider / Third War
05. White Rabbit (Jefferson Airplane cover)
06. Ascension To Destiny
07. Battle Angels
08. I Am Insane
09. Veil Of Disguise

Sanctuary - The Year The Sun Died (2014)


Um Retorno Pífio

Temos testemunhado diversas bandas que encerraram suas trajetórias há tempos, voltarem as atividades com álbuns bem interessantes e competentes. Algumas voltas realmente se mostraram muito relevantes e recolocaram nomes perdidos no passado, novamente em destaque com todos os méritos.

Grupos como Satan, Warrant, Accept, Onslaught, Artillery, Carcass e muitos outros, vem esbanjando qualidade em seus últimos registros e justificam suas decisões de subir novamente aos palcos. Ostentam nomes pra lá de respeitados com toda a maestria já conhecida, sem demonstrar sinais de cansaço e provando que tem muito ainda a nos apresentar em anos vindouros.

É fato, que alguns retornos não são tão unanimes como as acima mencionados e pra não perdermos o foco, citarei apenas um destes contestados antes de entrar no assunto principal do texto. Talvez a banda mais lendária de todo o Heavy Metal, o grandioso Black Sabbath, promoveu uma volta que foi muito discutida, lançando um álbum que dividiu opiniões ("13") mas que vendeu muito e rendeu mais alguns milhões aos cofres de Ozzy, Toni Iommy e Geezer Butler, através de sua milionária turnê.

Analisando friamente, promover retornos de nomes importantes do passado tem se mostrado um negócio bem lucrativo. Se feito ao menos com certa paixão e respeitando a história dos grupos, não vejo mal nenhum, o grande problema é que algumas bandas não enxergam isso e acabam manchando um legado irretocável com álbuns pífios que se não fossem lançados, não fariam a menor diferença.


Em 2010, foi anunciado o retorno do lendário Sanctuary, grupo que lançou dois álbuns memoráveis no final dos 80's, "Refuge Denied" (1987) e "Into the Mirror Black" (1989). Praticavam um Power Metal contagiante, cheio de identidade, técnica e músicos soberbos. No começo dos anos 90, dissolveram a banda por pressão da gravadora, que queria os inserir no movimento grunge. 

Warrel Dane e Jim Sheppard, dois dos membros fundadores do grupo, não aceitaram tal imposição, enquanto Lenny Rutledge e Dave Budbill, estariam dispostos a trocar os solos, palhetadas e agudos pelas famosas blusas xadrez, vocais arrastados e seguir rumo ao estrelato. O desentendimento foi inevitável e os músicos chegaram até mesmo as vias de fato. Conclusão: Warrel, Jim e o então "novato" Jeff Loomis formaram o Nevermore e seguiram em frente sem olhar pra trás, conseguiram reconhecimento por parte da mídia e conquistaram fãs fieis ao trabalho de sua nova banda. 

Até este ponto, louvável a atitude de Warrel e Jim, que não aceitaram que a sua música fosse transformada e descaracterizada, construíram carreiras respeitáveis e se o Nevermore, é uma banda que não agrada a todos, ao menos possuíam o respeito do público do Metal. Uma ótima história "SE" terminasse por aqui...

Mas (e sempre tem um "mas" pra atrapalhar), resolveram, sabe-se lá Deus o por que, ressuscitar o nome do Sanctuary. Se juntaram novamente a Lenny Rutledge e Dave Budbill (aqueles mesmos que estavam loucos para migrar do Metal para o Grunge) e neste ano de 2014, lançaram o trabalho "The Year The Sun Died".

Desde o princípio, achei essa história, no mínimo, mal contada e senti um cheiro de "esperteza" (pra não dizer outras coisas) no ar, mas como sempre faço, aguardei o lançamento do álbum e fui conferir o que o "Sanctuary" tinha a nos oferecer em sua versão século XXI. Algumas boas audições depois e o que eu temia foi apenas confirmado, absolutamente NADA da sonoridade característica do grupo.


A grande verdade, é que este registro de retorno nada mais é que uma extensão dos últimos álbuns que o Nevermore vinha lançando, só que, pasmem, muito mais fraco. Apenas algumas composições como "Arise And Purify", "Let The Serpent Follow Me" e "Frozen" tem resquícios do que poderia ser realmente o Sanctuary nos dias de hoje, o restante das faixas são chatas, sem sal, arrastadas e na minha humilde opinião, totalmente desnecessárias. 

A audição do álbum é entediante, a banda me parece totalmente perdida, não sabendo direito pra qual direção seguir e dessa forma, acabaram não indo a lugar nenhum, tive a sensação de estar ouvindo uma única música durante todo o tempo e a cada vez que dava play e tentava digerir o que diabos esses caras tentaram fazer, o pensamento que mais me passava pela cabeça era o de Warrel Dane e Jim Sheppard querendo construir uma máquina do tempo, voltar ao passado e gravar o "maldito" álbum grunge que esnobaram na época por "idealismo musical".

Tenho comigo a convicção que pra lançar um trabalho desse nível, era preferível deixar o nome Sanctuary descansando em paz, mas o que me parece, é que alguns dólares na conta acabaram por reconciliar antigos desafetos e fazer com que uma reunião, com todo respeito, equivocada acontecesse. Que me desculpem os que gostaram desse álbum, mas a honestidade com a música passou bem longe por aqui. 


Retornos tem se mostrado benéficos e até mesmo surpreendentes, mas deve-se ter muito cuidado com eles. Enquanto algumas bandas voltam com garra e personalidade, nos proporcionando momentos de nostalgia e justificando o por que de estarem de novo no "front", algumas fazem apenas número e não agregam valor nenhum. Procuro ser imparcial nas minhas análises e não espero que todos concordem comigo, mas esse trabalho, "The Year The Sun Died" é totalmente irrelevante, descompromissado e não faz jus ao nome que carrega. Não recomendo. 

Não costumo dar notas a álbuns mas darei a este. Nota: 3,0. Sanctuary (1985- 1992, R.I.P.)



Escrito por Fabio Reis

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...