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Live Review: Jackdevil

Hangar 110 - São Paulo – 09/06/2017


O lendário Hangar 110, uma das mais respeitadas casas de shows de São Paulo, localizada na região do Bom Retiro, foi palco da segunda edição do Thrash Under Pressure, que ocorreu na sexta-feira do dia 6 desse mês. Contando com as bandas Jackdevil (MA), Blasthrash (SP), Comando Nuclear (SP), Sounder (SP) e Bastardo (SP), o evento pode ser resumido como uma tremenda celebração do Metal nacional, entretanto, creio que isso seja muito pouco para definir a qualidade do fest como um todo, não é mesmo?


Com abertura programada para as 19h, a casa ainda estava com um público razoável, mas quem já estava ali, pode presenciar a apresentação dos Thrashers paulistanos do Sounder. A banda foi formada em 2006 e teve suas atividades encerradas durante algum tempo. Agora, felizmente, o grupo está de volta e quem conferiu o show do quarteto, assistiu uma performance completamente dinâmica, que contou com composições como “The Hell Is Here”, “Kill the Raper” e “Sounder (Crucial Battle)”, presentes em seu primeiro álbum, “Hell Hymns” (2008). Sem dúvida, foi uma excelente escolha para abrir o evento!


Às 20h, saudados por muitos headbangers, sobem ao palco os músicos do Comando Nuclear. Também oriunda de São Paulo, a banda é encabeçada atualmente por Ron Cygnus (vocal), Éric Würz (guitarra), Rex (guitarra), Rodrigo Exciter (baixo) e Hugo Golon (bateria), executa uma sonoridade direcionada ao Heavy/Speed Metal oitentista e tocou composições de seus dois álbuns de estúdio, “Batalhão Infernal” (2006) e “Guerreiros da Noite” (2011), tais como “Unidos pelo Metal”, “Comando Nuclear”, “Princesa Infernal”, “Guerreiros da Noite”, “Vingança Metal” e “Ritual Satânico”. Durante a execução dessa última, o som ficou mais alto, diga-se de passagem. Logo no início da apresentação, o vocalista Ron Cygnus proferiu agradecimentos as bandas e ao evento, mencionando que estavam há mais de um ano sem tocar em São Paulo. Mais um show que fez muitos dos presentes cantarem e agitarem ao lado da banda.


Pouco mais de 21h, foi a vez dos Thrashers paulistanos e veteranos do Blasthrash desfilarem a suas composições velozes e altamente energéticas. Antes de começarem a tocar, o frontman Dario Viola apresentou a banda de forma bem simples e direta e em seguida, os músicos já mandaram ver com seu Thrash Metal contagiante e visceral. A apresentação do Blasthrash, composto atualmente por Dario Viola (vocal), Jhon França (guitarra), Diego Rocha (guitarra), Diego Nogueira (baixo) e Rafael Sampaio (bateria), contou com músicas como “Violence Just for Fun” e “Radiation Death”, que em questão de poucos segundos fizeram com que os moshers de plantão abrissem um moshpit insano e muito crativo. Algo muito inusitado e divertidíssimo ocorreu nesse momento, quando um dos presentes entrou na roda carregando uma mochila cor-de-rosa infantil de rodinhas! Isso mesmo, caro(a) leitor(a)! Foi simplesmente insano e hilário. Um detalhe técnico que é importante de ser mencionado é que a acústica estava melhor na lateral da casa, pois ao meio o som aparentava estar um pouco embolado, porém nada que tenha comprometido o show da banda, muito pelo contrário.


Finalmente, às 21h55, o local já estava bem mais cheio e os maranhenses do Jackdevil sobem ao palco, fazendo uma saudação bastante calorosa e sendo instantaneamente ovacionados por todos os presentes. Certamente, a banda é uma das mais aclamadas do cenário da música pesada brasileira atual, especialmente quando o assunto é Thrash/Speed Metal com generosas pitadas da saudosa NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal). Até o presente momento, o grupo possui quatro registros em sua discografia, sendo eles uma demo, lançada em 2012, um EP, lançado em 2013, além de dois álbuns de estúdio, lançados respectivamente nos anos de 2014 e 2015. No ano passado, também lançaram uma coletânea que compila todas as faixas da demo e do EP. 

Encabeçada por André Nadler (vocal/guitarra), Ric Mukura (guitarra), Renato Speedwolf (baixo) e Fernando Hellboy (bateria), a banda retornou ao Brasil após uma bem-sucedida turnê europeia, a “Satan Command European Tour”. O carismático frontman André Nadler fez um breve discurso bem no início da apresentação falando a respeito da turnê e de como estavam felizes em tocar novamente no Brasil. Alegou que a banda também estava 100% após a excursão pelo Europa e sem mais delongas, ofereceu a todos a primeira música do show, a excepcional “Evil Strikes Again”, faixa de abertura do álbum homônimo de 2015. Rapidamente, todos se renderam ao som dos caras, é claro. O show prosseguiu com a igualmente empolgante “Devil Awaits”, seguida de “Age of Antichrist”, do primeiro álbum da banda, “Unholy Sacrifice” (2014).


“Agora é hora do moshpit!”, diz André e seu pedido é prontamente atendido assim que “Flashlights”, do EP “Faster Than Evil” (2013) é executada. Em seguida, foram tocadas “Beastrider” e “Bastards in the Guillotine”, dois petardos que também não deixaram ninguém ficar indiferente. Os músicos fazem outra pequena pausa e nesse momento André faz um pequeno discurso sobre a cena da música pesada brasileira, abordando um pouco sobre a dura realidade em nosso país, sobre os custos e dificuldade que todos sofrem para ir a um, independente do valor do ingresso, além de prestar agradecimentos a todos. Na sequência, mandam uma pequena prévia da próxima música que irão tocar, “Under the Metal Command”, gravada originalmente na demo “Under the Satan Command” (2012) e posteriormente regravada como faixa bônus do debut “Unholy Sacrifice”. 

Possuindo um título que já fala por si só, “Thrash or Die” dá continuidade ao show com toda a euforia caótica exigida em uma apresentação do gênero. O público, composto de muitos jovens, repletos de energia e “sangue no olho”, pede para a banda tocar ainda mais rápido. Tendo isso em mente, a banda sabiamente toca “Faster Than Evil”, composição mais que adequada e que foi sucedida por “Vixen of Satan”. Tivemos mais alguns agradecimentos sinceros ao público e sem demora, o delírio foi retomado com a obrigatória “Thrash Demons Attack”. Para encerrar o show com chave de ouro, a banda executou a versão em espanhol de “Satan’s Rite”, “Rito de Satán”. A banda já estava tocando essa versão em sua turnê europeia e essa versão também está presente na coletânea “Back to the Garage” (2016). Uma ótima e competente versão para uma música que já era muito boa e indubitavelmente finalizou a apresentação da melhor forma possível, deixando todos completamente satisfeitos.


Após a impecável performance do Jackdevil, boa parte do público já estava deixando a casa, porém quem ficou ao menos mais um pouco no local também pode conferir a performance da banda de Crossover Thrash paulistano Bastardo. Formada em 2013, a banda é composta por Thiago de Jesus (vocal), Diego Rocha (guitarra), Cae Magalhães (guitarra), Felipe Salutti (baixo) e Nino Tenório (bateria) e em breve deverá lançar o seu primeiro álbum no formato físico, “Something To Do With Death”. Quem é fã de Crossover, vale muito a pena conferir o trabalho dos caras!

Não há muito que falar! Mais uma vez o Hangar 110 está de parabéns por esse grande evento! Todas as bandas mandaram muito bem os seus respectivos recados. Com relação ao Jackdevil, a banda está a todo vapor e que continuem assim, pois todos os seus fãs e apreciadores agradecem e muito e é claro, que não demorem a tocar por aqui novamente.

Integrantes:

André Nadler (vocal/guitarra)
Ric Mukura (guitarra)
Renato Speedwolf (baixo) 
Fernando Hellboy (bateria)

Setlist:

01. Evil Strikes Again
02. Devil Awaits
03. Age of Antichrist
04. Flashlights
05. Beastrider
06. Bastards in the Guillotine
07. Under the Metal Command
08. Thrash or Die
09. Faster Than Evil
10. Vixen of Satan
11. Thrash Demons Attack
12. Rito de Satán  


Redigido por David “Fanfarrão” Torres

Jackdevil: guitarrista André Nadler tem sua guitarra destruída por companhia aérea e não é reembolsado


Não é de hoje que algumas companhias aéreas vem mostrando toda uma falta de respeito com seus usuários e no último dia 20 de junho, o guitarrista André Nadler, da banda de Speed/Thrash Metal Jackdevil, postou nas redes sociais uma nota informando que sua guitarra foi totalmente destruída em um voo da Argentina para o Chile, em dezembro de 2015 e até o presente momento, o reembolso não aconteceu, causando ao músico um prejuízo de mais de 3 mil reais.

Segue a nota abaixo:

"Amigos, estou precisando da solidariedade de todos vocês. Quem é músico ou sabe o valor de um instrumento profissional vai entender a situação e me ajudar a compartilhar essa cena de descaso e falta de respeito da companhia aérea LATAM Airlines em relação ao episódio que será explicado abaixo.
Infelizmente algumas empresas no Brasil levam certas situações como brincadeira, desrespeitando e lesando o cliente sem preocupação alguma de reparar os danos causados por sua falta de profissionalismo.

Desde dezembro a LATAM destruiu uma de minhas guitarras durante a primeira turnê do ?#?JACKDEVIL? fora do Brasil, mais precisamente em um voo da Argentina ao Chile e mesmo com o adesivo sinalizando que era um produto frágil acompanhamos os funcionários arremessando nossos cases de madeira para dentro do avião como se fossem sacos de lixo. Fomos ao departamento responsável da companhia assim que recebemos o equipamento danificado no saguão, ainda dentro do aeroporto, e eles nos passaram a documentação toda para reembolso da guitarra e bastaria eu comprar uma nova e enviar a nota fiscal e dados por e-mail. Mas ali era só o começo da tempestade.

Já se passaram 6 meses, me prometeram depositar o valor do prejuízo pelo menos 3 vezes através de telefonemas onde gastei créditos absurdos para tentar resolver com a LATAM, mas nunca recebi um centavo e continuo lesado. Enquanto a companhia aérea ganha milhões eu fico aqui com o estrago orçado em quase R$ 3.000,00 - que para um músico é um valor alto - e sem qualquer outra satisfação, apesar de ter em mãos todos os documentos que comprovam que a empresa deveria me pagar. 

Somente com a banda já gastamos mais de 50 passagens aéreas viajando em turnês e shows, mas parece que poupar dinheiro enganando um cliente parece ser mais viável.

Recorrer através da internet está sendo minha última saída, pois nos próximos meses vamos partir para a terceira grande turnê da banda e continuo com minha guitarra destruída e sem nenhum reembolso.

Peço a ajuda de vocês que me conhecem e sabem da luta do #JACKDEVIL para que as coisas aconteçam. Compartilhem essa informação para que a LATAM tenha mais decência com os músicos que utilizam os serviços da companhia e procure atender seus clientes de uma maneira mais honesta.

Por um mundo onde companhias aéreas respeitem os usuários de seus serviços e, consecutivamente, sua bagagens. Parece que o adesivo escrito "frágil" não significou nada para os funcionários da LATAM e acabou que até agora eu estou de mãos atadas por ser um cidadão honesto e decente.

Aguardamos o pronunciamento da empresa..."


Não temos dúvidas que a LATAM Airlines está agindo de má fé e se quisessem realmente resolver essa questão, há muito tempo deveriam ter feito o reembolso de um material danificado por seus funcionários.

Esperamos que mesmo tardiamente, o músico André Nadler consiga reaver os valores referentes a este prejuízo, pois todos nós sabemos o quanto é difícil pra uma banda do underground conseguir se manter na ativa.

Respeito e justiça é o que desejamos nesta situação!


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