Após a entrevista que Vivian Campbell (guitarrista original da banda de Dio) cedeu a BigMusicGeek.com, onde desfilava comentários ácidos sobre a banda Dio Disciples (grupo que reúne músicos que tocaram com Dio), dizendo que "a credibilidade deles é zero" e também citava a falta de reconhecimento que os integrantes originais receberam pelos três primeiros álbuns de Dio, o guitarrista Craig Goldy, também um ex-membro da banda do eterno Ronnie James Dio, disse em resposta em entrevista a Sleaze Roxx o seguinte:
"É lamentável que Vivian continua dizendo coisas ruins sobre Ronnie e nós, Quer dizer, eu estava na banda de DIO com Vinny e estou em outra banda com ele (Ressurection Kings). Assim como com qualquer família, há sempre aquele que se agarra a um rancor para sempre. Ele (Vivian) é legal quando está na minha presença. Eu não sei se ele diz coisas ruins nas minhas costas. Não me lembro dele dizendo algo ruim."
Craig ainda acrescenta: "Eu gostaria que ele apenas dissesse "eu sinto muito". Talvez algo tenha acontecido a portas fechadas e Vivian considere imperdoável. Apenas acho que isso é difícil de acreditar. Eu não sei o que houve entre os dois (Dio e Vivian Campbell), mas acho que Vivian ultrapassou alguns limites, então sinta a pressão. Ele foi chamado para aquilo e deixou passar."
O guitarrista não se pronunciou a respeito da declaração de que a banda possui "credibilidade zero" e provável que nem o faça, afinal, a Dio Disciples age sob a batuta da viúva de Dio (Wendy Dio) e o grupo vem fazendo diversos shows, inclusive foram os responsáveis pelo fechamento do Wacken Open Air deste ano, trazendo um holograma que possibilitou a "presença" do próprio Ronnie no palco, a última preocupação de Craig ou qualquer músico envolvido com a Dio Disciples são as declarações de Vivian Campbell.
O Wacken Open Air é o maior festival de bandas do mundo e sempre procura trazer atrações diferenciadas para seus expectadores, os espetáculos de alguma forma sempre são únicos e ficam para sempre na memória de todos os que presenciem. Neste ano, a Dio Disciples, grupo composto por músicos renomados na cena mundial e ex-membros da banda Dio, protagonizou um momento arrebatador e através de um sistema de holograma, trouxe o imortal Dio ao palco do festival e dessa maneira, o Wacken foi encerrado de maneira apoteótica.
Wendy Dio, a viúva do mestre e responsável pela banda, declarou o seguinte: "Quando experimentei pela primeira vez a produção total com Ronnie tocando com sua banda como um holograma, eu não podia acreditar nos meus olhos e ouvidos."
O holograma só foi possível graças ao trabalho árduo da Eyellusion's Ronnie James Dio, uma empresa criada com o único fim de trazer essa experiência única para os palcos. A idéia de Wendy é excursionar pelo mundo com a Dio Disciples e levar essa tecnologia para os milhares de fãs de Dio e sua música.
Desde o fatídico falecimento do inigualável Dio, sua viúva Wendy, organizou um evento denominado "Ride For Dio", onde a banda Dio Disciples excursiona tocando as composições do baixinho, com a intenção de perpetuar seu legado. O grupo conta com diversos músicos renomados e entre eles, alguns integrantes que inclusive tocaram com o mestre em algum momento de sua trajetória.
A banda atualmente é formada pelos vocalistas Tim "Ripper" Owens (Judas Priest e Iced Earth) e Oni Logan (Lynch Mob), pelo guitarrista Craig Goldy (Dio) e conta também com o baixista Bjorn Englen (Yngwie Malmsteen) com o tecladista Scott Warren (Dio, Heaven & Hell) e o baterista Simon Wright (Dio, AC/DC, UFO).
Em contrapartida, os membros originais da banda Dio, Vivian Campbell (guitarra), Vinny Appice (bateria) e o recentemente falecido Jimmy Bain (baixo), formaram o grupo Last In Line (nome do segundo trabalho de estúdio de Dio) e lançaram neste ano, o bom "Heavy Crown", apenas com composições inéditas do músicos.
Mesmo com focos diferentes e sem nenhum motivo aparente para que aja qualquer tipo de competitividade, Vivian Campbell fez a seguinte declaração ao BigMusicGeek.com:
"Eu não acho que estamos no mesmo patamar da Dio Disciples. Nenhum desses caras eram membros originais da banda Dio. Nós somos a banda original. Nós somos os caras que formaram a banda com Ronnie. Não estávamos apenas na banda, mas escrevemos todas aquelas canções com Ronnie. Se você olhar para os créditos sobre os três primeiros registros, foi como um empreendimento criativo e colaborativo, isso é o que fez os primeiros discos de Dio tão fortes. Os caras da Dio Disciples... não é que eu esteja preocupado, mas a credibilidade deles é zero"
Qualquer pessoa sensata percebe que os dois grupos possuem propostas muito distintas. Enquanto a Dio Disciples toca apenas covers, a Last In Line possui uma uma musicalidade que procura resgatar os bons momentos dos primeiros álbuns de Dio, porém investindo apenas em composições próprias.
Opinião Mundo Mental:
Vivian Campbell é um excepcional músico, porém sua declaração foi claramente um momento de egocentrismo. Se os três membros originais da banda Dio foram tão importantes como ele quis passar nessas declarações, por que o disco do Last In Line é apenas mediano?
Com todo esse talento afirmado sem nenhuma modéstia, Vivian deveria se preocupar mais em criar algo que ao menos chegue perto a seus momentos mais marcantes com Dio, fato este que duvidamos muito e enfim, parar de se preocupar e dar declarações polêmicas sobre uma banda tributo.
A Dio Disciples é uma banda tributo formada por nomes consagrados do Metal mundial. O grupo vem participando do evento chamado Ride For Ronnie, patrocinado pela viúva e também manager de Dio, que excursiona pelos Estados Unidos com o intuito de levar adiante a música do mestre.
No último dia 22 de maio, na Califórnia, a banda que na ocasião era formada por Tim "Ripper" Owens (vocal), Oni Logan (vocal), Craig Goldy (guitarra), Bjorn Englen (baixo), Scott Warren (teclado) e Simon Wright (bateria), recebeu um presente da viúva Wendy e pode tocar em primeira mão uma canção inédita de Dio.
32 anos de uma das obras mais espetaculares da história do Heavy Metal mundial
Cinco anos atrás, o excelente músico e compositor Ronald James Padavona, mais conhecido como Ronnie James Dio ou simplesmente Dio, deixou esse plano terreno em decorrência de uma batalha perdida contra um câncer estomacal que terminou por levá-lo a óbito em 16 de maio de 2010. Dissertar sobre a importância de Dio é chover no molhado, uma vez que ele é simplesmente uma lenda imortal da história do Heavy Metal mundial e realmente não é sobre esse tipo de assunto que irei abordar, mas sim, sobre um dos álbuns mais influentes da história da música pesada que completou hoje o seu 32° aniversário: “Holy Diver”.
Lançado em 23 de maio de 1983 pela gravadora Mercury Records e apresentando uma deslumbrante ilustração de capa desenvolvida por Randy Barrett, ele é o álbum de estreia da banda liderada por Dio. Contando a produção do próprio vocalista, “Holy Diver” é uma legítima obra prima, recheado de grandes clássicos e composições dotadas de uma qualidade fascinante.
O “riff” contagiante de Vivian Campbell inicia um dos hinos aqui presentes, a histórica “Stand Up and Shout”. A “cozinha” de baixo e bateria formada por Jimmy Bain e Vinny Appice é perfeita e maravilhosamente coesa e a voz do baixinho e carismático Dio rasga os alto falantes com toda a sua potência descomunal. O refrão também é um espetáculo a parte, simplesmente perfeito! Uma breve e crescente introdução ecoa no ambiente e pouco depois, dá lugar a mais um hino que dispensa qualquer apresentação, a faixa título “Holy Diver”. Seus arranjos cadenciados e épicos transportam o ouvinte para uma tremenda avalanche do mais genuíno Heavy Metal, em seu estado mais puro. Linhas pulsantes de baixo, uma bateria precisa e um trabalho sublime de guitarras, aliadas a vocais irrepreensíveis e magnificentes fazem a composição ser o que ela é: um clássico nato. Essa composição, aliás, recebeu um videoclipe promocional na época de seu lançamento.
Igualmente encantadora, “Gypsy” é outra faixa grandiosa, repleta de belíssimas harmonias e um solo de guitarra estonteante. Dio surpreende cada vez mais a cada verso cantado. Clássica e arrebatadora, “Caught in the Middle” dá continuidade ao disco, começando com um “riff” arrastado e pesado, não demorando a apresentar mais uma explosão metálica e portentosa. “Feeling” autêntico é emanado de cada melodia. Não há como ficar diferente a tamanha perfeição!
Dedilhados delicados e belíssimos apresentam mais um hino, a fabulosa “Don't Talk to Strangers”, outro clássico espetacular e uma composição ainda mais rápida e intensa. Dio canta sutilmente no início da composição, até que a mesma implode em um espetáculo primoroso e magnífico. Guitarras formidáveis, um desempenho de baixo e bateria perfeitamente sincronizado e, claro, Dio! Nada mais a declarar! A bateria de Vinnie Appice manifesta o início de “Straight Through the Heart”, uma faixa mais cadenciada e da mesma maneira que todas as antecessoras, vigorosa e inacreditável.
Vivian Campbell e sua guitarra quimérica, acompanhada pela voz crescente de Dio introduzem outra maravilha para os ouvintes: “Invisible”. Um “feeling” abundante é despejado de cada acorde e parte dessa brilhante composição. O que vem a seguir? Mais um hino! A soberba “Rainbow in the Dark” é a penúltima faixa desse trabalho impecável e não há muito que dizer acerca desse tremendo clássico. Trata-se de uma composição excepcional, construídas com mais arranjos magistrais, um empenho instrumental prodigioso, além de vocais que beiram o ilusório, tamanha a sua beleza e grandiosidade. Assim como para a faixa título, foi produzido um videoclipe para esse clássico. A essa altura, o ouvinte não crê que nada mais possa surpreendê-lo. Seria humanamente impossível, correto? ERRADO! Nos deparamos com outra composição inacreditavelmente formidável, “Shame on the Night”. O quarteto desencadeia um estrondoso e mais do que apropriado fim para essa obra quintessencial e divina.
Três décadas depois e “Holy Diver” continua imponente e soberano, incentivando o surgimento de centenas de bandas ao redor da Terra. Sem sombra de dúvidas é um dos melhores e mais importantes álbuns de Metal da década de oitenta, chegando a ganhar o disco de platina nos Estados Unidos. Uma obra atemporal que enche de orgulho qualquer apreciador da música pesada que se preze. A lenda Ronnie James Dio pode não estar mais entre nós, entretanto, devemos lembrar que lendas não morrem, são imortais. O seu legado jamais será apagado e muito menos esquecido.