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Denner/Shermann: Em recente entrevista, Hank menciona um possível retorno do Mercyful Fate


Em uma recente entrevista cedida ao jornalista Daniel Tavares para o site Scream & Yell, o lendário guitarrista Hank Shermann, ex-Mercyful Fate e atualmente divulgando seu mais novo trabalho à frente da banda Denner/Shermann, responde diversas questões sobre seu passado, presente e futuro. Confira alguns dos melhores momentos.

Sobre a recepção do álbum "Masters Of Evil":

"Tem sido realmente surpreendente pra mim, tão boa quanto como foi com o primeiro EP que nós lançamos. Todo mundo ficou, é claro, um pouco curioso para saber como seria a recepção ao próximo álbum, uma vez que ele seria um álbum completo e teríamos mais canções e os estilos se distribuem em muitos níveis diferentes, não existem duas canções que se parecessem umas com as outras. Claro que nós estávamos muito empolgados para ouvir as reações, mas, até agora, tem sido incrível. Nós já tivemos algumas resenhas realmente muito boas e, claro, a banda inteira está entusiasmada e nós acabamos de fazer um show aqui, então, tudo está muito bom."

Sobre o por que de usar os sobrenomes Denner e Shermann como o nome da banda:

"Foi só uma decisão entre mim e o Michael quando ele chegou e disse: “Por que não chamamos de Denner / Shermann? Porque os fãs, nossos fãs leais, que são basicamente os fãs do Mercyful Fate que nos seguiram por 35 anos ou mais, certamente saberiam o que temos a dar, melhor do que encontrar um novo nome como HellFire ou qualquer coisa assim”. Nós pensamos que seria algo de mais classe, nesse momento das nossas carreiras, usar os nossos próprios nomes. Isto já foi visto antes em muitas formações desde os anos 70, mas, sabe, o mais importante em usar o nosso próprio nome é ter algo que remetesse ao que já foi criado. De outra forma, nós estaríamos como se começando, teríamos um nome ao qual as pessoas teriam que se acostumar. Com nosso próprio nome, as pessoas que nos conhecem sabem o que vão ter. Acho que estamos muito felizes com este nome e parece que as pessoas não se importam, não tem nada contra isso. É só uma questão de nós estarmos ficando mais velhos e querendo ir direto ao ponto e dizer, ok, você sabe, este é o Denner, este é o Shermann e esta é a nossa música."

Se há chances do Mercyful Fate se reunir novamente:

"Ah, sim, esta é uma boa questão. Sabe, eu gostaria. Entretanto, neste ponto não estamos falando especificamente sobre isso porque o Michael e eu estamos muito ocupados com o Denner / Shermann e Kim está realmente ocupado fazendo o próximo álbum da King Diamong. Então, tem que ser mais lá na frente na estrada, 2018, 2019… se for. Estou completamente aberto a ideia, mas depende mais de agenda e de tempo. Posso te garantir que espero por isso e nós todos temos esta esperança, tanto pelos fãs quanto pelo evento histórico que seria. Espero que nós sejamos capazes de fazer isto acontecer."

Se King Diamond ouviu o trabalho da Denner/Shermann e o que achou:

"Não estou por dentro disso. Não é algo que eu realmente saiba ou esteja pensando. Se ele gostar, será bacana. Ele deve provavelmente estar curioso. Sei que ele ouviu provavelmente, acho, “Satan’s Tomb”. Nós conversamos um pouco sobre isso, mas, sabe, eu imaginaria que sim, porque, como eu fiz toda a música, tem um som muito reconhecível, o meu som e o som do Michael, o som do Mercyful Fate. É algo mais negócio para negócio do que, você sabe, de amigo pra amigo. Ele não comentou muito sobre isso e pessoalmente não sei o que ele pensa sobre. Mas acho que ele ficaria orgulhoso que seus antigos amigos de banda estejam de volta aos negócios e de volta à cena e fazendo um heavy metal old school realmente legal, mas talvez ele pense diferente. Eu realmente não sei."

A entrevista completa se encontra disponível no site Scream & Yell.

Da série "EPerfeição": relembre quatro EP's clássicos e impecáveis


EP é a sigla utilizada para designar o termo "extended play" e faz menção a discos que possuem duração maior que um single ou compacto simples, mas não possuem o tempo correspondente a um álbum completo, geralmente possuem 4 músicas, porém isso não é uma regra. Na década de 80, foram muitas vezes chamados de mini álbuns devido aos mini LP's.

Muitas bandas fazem uso até hoje do lançamento de EP's e desde que surgiram, muitos deles ficaram marcados como peças fundamentais nas discografias de diversos grupos. Chamamos de "EPerfeição" o EP que além de possuir material inédito, também é detentor de composições excepcionais, clássicas e fundamentais nas trajetórias das bandas.

Desde sempre, o Mundo Metal tem com foco apresentar as grandes novidades da música pesada e também relembrar os clássicos do passado. Sendo assim, apresentamos quatro EP's simplesmente fantásticos, cada um deles trazendo clássicos importantíssimos e que somaram muita qualidade as trajetórias de Mercyful Fate, Slayer, Helloween e Megadeth.


Mercyful Fate - "Mercyful Fate" (1982)

Este lançamento antecede o clássico álbum de estréia da banda e traz uma sonoridade bem diferenciada pra época, tanto na parte vocal trazendo os lendários vocais de King Diamond, como também apresentando um instrumental muito original e uma dupla de guitarristas magnífica.

Faixas:

1. "A Corpse Without Soul" 
2. "Nuns Have No Fun"  
3. "Doomed by the Living Dead"  
4. "Devil Eyes"


Slayer - "Haunting The Chapel" (1984)

"Haunting The Chapel" foi lançado após o lançamento do mítico debut "Show No Mercy" e é o passo mais importante na guinada musical que o Slayer promoveu em sua musicalidade. Se no registro de estréia, temos um Speed Metal com muitos elementos das bandas pertencentes a NWOBHM e apenas alguns elementos do que viria a ser o Thrash propriamente dito, neste EP a banda executa composições que contem as principais características do estilo.

Faixas:

1. "Chemical Warfare"  
2. "Captor of Sin"  
3. "Haunting the Chapel"  
4. "Aggressive Perfector"


Helloween - "Helloween" (1985)

Este EP é responsável pela introdução do Helloween na cena mundial, se anos mais tarde o grupo se caracterizaria pelo Power Metal melódico e ritmos mais alegres, aqui o Speed Metal come solto e os vocais, riffs, solos e composições de Kai Hansen, aliados ao poder criativo de Michael Weikath, transformam um simples EP de estréia em um dos maiores registros da década de 80.

Faixas:

1. "Starlight" 
2. "Murderer"
3. "Warrior" 
4. "Victim of Fate" 
5. "Cry for Freedom"


Megadeth - "Hidden Treasures" (1995)

Este lançamento coroa a fase fantástica que o Megadeth vivia na década de 90. Após dois álbuns que atingiram grande sucesso comercial, "Countdown To Extinction" (1992) e "Youthanasia" (1994), a banda se tornou extremamente popular e começou a receber convites específicos. "Hidden Treasures" traz seis canções compostas para servir de trilha sonora para filmes de Hollywood e mais três covers.

Faixas:

1. "No More Mr. Nice Guy" (Alice Cooper cover e trilha sonora de Shocker)
2. "Breakpoint" (Trilha sonora de Super Mario Bros.)
3. "Go to Hell" (Trilha sonora de Bill & Ted's Bogus Journey)
4. "Angry Again" (Trilha sonora de Last Action Hero)
5. "99 Ways to Die" (Trilha sonora de The Beavis and Butt-head Experience)
6. "Paranoid" (Black Sabbath cover)
7. "Diadems" (Trilha sonora de Tales from the Crypt Presents Demon Knight)
8. "Problems" (Sex Pistols cover)



por Fabio Reis

Trinca de Ases: Mercyful Fate


Poucos sabem, mas antes do Mercyful Fate ser consolidado, os integrantes originais King Diamond (vocal), Hank Shermann (Guitarra), Michael Denner (Guitarra) e Timi Hansen (baixo) formaram uma banda chamada Brats. Tal grupo não durou muito e os músicos se dividiram, Denner e Hansen criaram o Danger Zone e depois de algum tempo, pediram a ajuda de King para gravar uma demo tape. Nesta época, King trabalhava em um novo projeto com Hank Shermann e acabou acontecendo um reencontro dos quatro membros do Brats. Com a adição do baterista Kim Ruzz, nascia uma nova e original banda denominada Mercyful Fate.

O lendário grupo dinamarquês foi criado em 1982, na cidade de Copenhague e através de sua musicalidade única, composições intricadas, performances teatrais, vocais inovadores e a temática obscura, se tornou uma das maiores influências para bandas pioneiras do Black Metal, Thrash Metal e demais estilos.

O Mercyful Fate é certamente um dos nomes mais importantes do Metal oitentista, pois além de servir como referência para diversos grupos, concebeu algumas das maiores obras do período. É justamente sobre elas que vamos dissertar nesta trinca de ases, que passa pela primeira fase da banda com os fantásticos e irretocáveis "Melissa" e "Don't Break The Oath", mas dá ênfase ao segundo período do grupo e sua volta triunfal no início dos anos 90, com o não menos pragmático "In The Shadows".

"Melissa" (1983)


Pode-se afirmar que este é um disco formado quase que inteiramente por clássicos do Heavy Metal. Uma verdadeira obra prima do gênero, capaz de conter em um mesmo trabalho, canções como "Evil", "Curse Of The Pharaohs", "Black Funeral", "At The Sound Of The Demon Bell" e a épica "Satan's Fall", com seus mais de 11 minutos de duração e um leque musical único.

O disco marca a estréia da banda na cena e pega carona no sucesso que a NWOBHM fazia, chamando a atenção do mundo todo para as bandas de Metal. O Mercyful Fate se favoreceu com a ascendência do movimento britânico e conseguiu bastante destaque com o seu debut.



"Don't Break The Oath" (1984)


Outro trabalho muito influente e responsável por aumentar ainda mais a popularidade do grupo. Nesta época, além dos vocais de King, os duetos de guitarra executados por Michael Denner e Hank Shermann, se tornaram outro destaque iminente e clássicos do porte de "A Dangerous Meeting", "Nightmare", "Desecration Of Souls", o hino máximo "Come To The Sabbath" e "The Oath", a faixa com a introdução mais assustadora de todos os tempos, elevaram o registro ao status de obra referencial e obrigatória.

Foi nesse período que os desentendimentos entre King Diamond e Hank Shermann afloraram e aos poucos, a convivência dos músicos se tornou insustentável, dessa forma, a banda acabou se dissolvendo e ficou anos paralisada.



"In The Shadows" (1993)


Nada como o tempo para aparar as arestas e foi isso o que ocorreu, anos mais tarde King e Hank se encontraram novamente e perceberam que as mágoas e desentendimentos do passado haviam desaparecido. Nada mais justo que retomar a carreira do Mercyful Fate e a volta não poderia ser em melhor estilo, com o épico "In The Shadows".

Em um cenário bem diferente ao da década de 80 em relação a ascensão do Metal, o disco foi um verdadeira oásis no deserto e trás toda a classe e talento da banda em faixas como "Egypt", "The Bell Witch", "The Old Oak", "Legend Of The Headless Rider", "Is That You, Melissa" e a regravação de "Return Of The Vampire", que conta com a participação especial de Lars Ulrich (Metallica). Sem dúvidas, um dos maiores álbuns dos anos 90.



por Fabio Reis
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